{"id":27,"date":"2016-01-27T19:17:29","date_gmt":"2016-01-27T18:17:29","guid":{"rendered":"http:\/\/repensar.noblogs.org\/?p=27"},"modified":"2016-01-27T19:17:29","modified_gmt":"2016-01-27T18:17:29","slug":"iasnaia-poliana-prevost-e-escola-moderna-experiencias-libertarias-na-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/repensar.noblogs.org\/?p=27","title":{"rendered":"I\u00e1snaia Poliana, Pr\u00e9vost e Escola Moderna: Experi\u00eancias Libert\u00e1rias na Educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\">Por Lucas Santos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Aqui ser\u00e3o expostas algumas das\u00a0principais experi\u00eancias educacionais relacionadas ao anarquismo, passando pela funda\u00e7\u00e3o da Escola Moderna e a cria\u00e7\u00e3o destas escolas no Brasil, espa\u00e7os onde era utilizado o objeto desta pesquisa, o manual <em>Comp\u00eandio de Hist\u00f3ria <\/em>Universal<em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para o in\u00edcio trataremos da experi\u00eancia mais antiga, dentre as abordadas, que tem lugar em territ\u00f3rio russo, com suas atividades iniciadas a d\u00e9cada de 1850, mais precisamente no ano de 1859, sob a supervis\u00e3o do literato e ide\u00f3logo anarquista Liev Nikol\u00e1ievich Tolst\u00f3i (1828 \u2013 1910). Tolst\u00f3i adere ao pensamento anarquista por for\u00e7a do contexto, visto que j\u00e1 nas d\u00e9cadas de 30 e 40 do s\u00e9culo XIX pensadores como Piotr Kropotkin e Mikhail Bakunin j\u00e1 agitavam levantes contra o czar e difundiam o pensamento libert\u00e1rio atrav\u00e9s de suas obras e a\u00e7\u00f5es. Outra influ\u00eancia fulcral para o desenvolvimento da vis\u00e3o libert\u00e1ria de Tolst\u00f3i foi seu encontro com Proudhon em Bruxelas no ano de 1861, durante suas viagens pelo territ\u00f3rio europeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"https:\/\/repensar.noblogs.org\/files\/2016\/01\/tolst\u00f3i.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-28 alignright\" src=\"https:\/\/repensar.noblogs.org\/files\/2016\/01\/tolst\u00f3i.jpg\" alt=\"tolst\u00f3i\" width=\"217\" height=\"304\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tolst\u00f3i por fazer parte de um c\u00edrculo tradicional, ostentando inclusive o t\u00edtulo de conde, funda o que se tem por anarquismo-crist\u00e3o, o que se adapta de forma quase simbi\u00f3tica ao seu p\u00fablico dentro de I\u00e1snaia Poliana<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">*<\/a>, afinal o sentimento religioso era mister dentro da \u00e1rea rural provinciana russa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A motiva\u00e7\u00e3o de Tolst\u00f3i para a realiza\u00e7\u00e3o desse trabalho pedag\u00f3gico com o campesinato russo vem da aus\u00eancia do Estado no cumprimento de sua fun\u00e7\u00e3o, visto que \u201cna d\u00e9cada de 1850, menos de 6% da popula\u00e7\u00e3o era alfabetizada. Nas regi\u00f5es rurais n\u00e3o existiam escolas p\u00fablicas, nem mesmo no n\u00edvel prim\u00e1rio ou fundamental, e a pouca instru\u00e7\u00e3o que havia \u2013 oferecida por algum padre ou soldado reformado [&#8230;] \u2013 era primitiva e paga\u201d onde \u201cos professores ensinavam de forma mec\u00e2nica e pouco imaginativa, sem incentivar o pensamento, e aplicavam puni\u00e7\u00f5es corporais.\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[1]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A experi\u00eancia levada a cabo por Tolst\u00f3i em I\u00e1snaia Poliana possu\u00eda, ent\u00e3o, um cunho de apoio m\u00fatuo, deste modo, dadas as condi\u00e7\u00f5es dos camponeses dentro de regime imperial russo \u201ca princ\u00edpio a iniciativa foi recebida com desconfian\u00e7a [&#8230;], principalmente porque n\u00e3o era preciso pagar (Tolst\u00f3i custeava tudo), mas em mar\u00e7o de 1860, j\u00e1 haviam cinquenta alunos matriculados \u2013 meninos meninas e alguns adultos.\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[2]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em sua pr\u00e1tica em I\u00e1snaia Poliana, T\u00f3lst\u00f3i tinha por objetivo a aproxima\u00e7\u00e3o entre a experi\u00eancia de aprendizagem e a liberdade, assim:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Seus alunos tinham permiss\u00e3o para frequentar as aulas quando bem quisessem, e n\u00e3o havia castigos f\u00edsicos. Havia elaborado um s\u00f3lido programa curricular com doze mat\u00e9rias, mas dava import\u00e2ncia \u00e0 flexibilidade, de modo que o professor se adequasse \u00e0s necessidades de seus alunos, e n\u00e3o o contr\u00e1rio.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[3]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tolst\u00f3i exp\u00f5e a liberdade dada aos alunos como algo que \u00e9 ao mesmo tempo um dificultador e um facilitador, o que fica claro em uma nota publicada por ele no peri\u00f3dico educacional da I\u00e1snaia Poliana, onde se l\u00ea:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ningu\u00e9m traz consigo coisa alguma, nem livros nem cadernos. Nenhum aluno \u00e9 obrigado a fazer dever de casa. Al\u00e9m de virem de m\u00e3os vazias, os alunos n\u00e3o s\u00e3o obrigados a decorar li\u00e7\u00f5es, sequer a aula do dia anterior. Eles n\u00e3o se atormentam com o pensamento da tarefa por fazer. Trazem apenas a si mesmos, sua natureza receptiva, e a certeza de que hoje a escola ser\u00e1 t\u00e3o alegre quanto ontem [\u2026]. Ningu\u00e9m jamais \u00e9 repreendido por se atrasar. Eles se sentam onde querem: bancos, mesas, peitoris das janelas, poltronas. O hor\u00e1rio prev\u00ea quatro aulas antes do jantar, que \u00e0s vezes na pr\u00e1tica se tornam tr\u00eas ou duas, e que podem ser sobre assuntos bastante diferentes [\u2026]. Na minha opini\u00e3o essa desordem externa \u00e9 \u00fatil e necess\u00e1ria, por mais estranha e inconveniente que possa parecer ao professor [\u2026]. De in\u00edcio essa desordem, ou ordem livre, nos assusta, porque fomos educados de outra maneira e estamos acostumados a algo bem diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"https:\/\/repensar.noblogs.org\/files\/2016\/01\/Tolstoi-inaugura-bib-de-Yasnaia-Poliana.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-29 aligncenter\" src=\"https:\/\/repensar.noblogs.org\/files\/2016\/01\/Tolstoi-inaugura-bib-de-Yasnaia-Poliana-270x300.jpg\" alt=\"Tolstoi inaugura bib de Yasnaia Poliana\" width=\"373\" height=\"414\" srcset=\"https:\/\/repensar.noblogs.org\/files\/2016\/01\/Tolstoi-inaugura-bib-de-Yasnaia-Poliana-270x300.jpg 270w, https:\/\/repensar.noblogs.org\/files\/2016\/01\/Tolstoi-inaugura-bib-de-Yasnaia-Poliana.jpg 348w\" sizes=\"auto, (max-width: 373px) 100vw, 373px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em segundo lugar, neste como em muitos casos semelhantes, a coer\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 usada por causa de pressa ou falta de respeito pela natureza humana [\u2026].<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[4]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Podemos demonstrar como fator de dificuldade para a pr\u00e1tica da liberdade em sua experi\u00eancia, a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de liberdade trazida por Tolst\u00f3i, afinal, podemos notar que, talvez sobre a influ\u00eancia da filosofia humanista, sua compreens\u00e3o do conceito de liberdade se limita a uma no\u00e7\u00e3o quase enciclop\u00e9dica onde \u00e9 livre aquele que n\u00e3o est\u00e1 preso ou limitado. O que ser\u00e1 trabalhado posteriormente por Bakunin, que passa a expor a liberdade enquanto algo que deve ser constru\u00eddo socialmente, onde a educa\u00e7\u00e3o tem papel fundamental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em 1961 ao retornar de suas viagens pelo territ\u00f3rio europeu, Tolst\u00f3i recebe o t\u00edtulo de juiz de paz, o que lhe possibilita a amplia\u00e7\u00e3o de seus planos. A este respeito \u00e9 apontado que:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Valendo-se de sua posi\u00e7\u00e3o de juiz de paz, no outono de 1861 ele j\u00e1 conseguira abrir 21 escolas locais, todas funcionando a pleno vapor. As escolas eram improvisadas em cabanas. N\u00e3o havia mesas nem carteiras nem lousas, e as paredes eram t\u00e3o sujas que nelas se podia escrever com giz, portanto serviam perfeitamente bem como quadro-negro. Entre os professores havia os usuais padres ou ex-soldados, mas tamb\u00e9m ex-universit\u00e1rios que precisavam de emprego. Em outubro do ano anterior haviam eclodido manifesta\u00e7\u00f5es depois que o governo introduziu uma s\u00e9rie de malfadadas reformas universit\u00e1rias, incluindo a frequ\u00eancia obrigat\u00f3ria e o pagamento de taxas proibitivas para muitos estudantes. Como resultado muitos deles acabaram expulsos. Cada estudante-professor recebia cinquenta copeques por m\u00eas, portanto os sal\u00e1rios mensais variavam em m\u00e9dia dez rublos. Os professores tamb\u00e9m recebiam um honor\u00e1rio por sua contribui\u00e7\u00e3o com a revista <em>I\u00e1snaia Poliana<\/em>.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[5]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A pr\u00e1tica da Educa\u00e7\u00e3o por Tolst\u00f3i, ent\u00e3o, pode ser compreendida como uma aspira\u00e7\u00e3o por mudan\u00e7as na rela\u00e7\u00e3o entre os indiv\u00edduos e o conhecimento, mas n\u00e3o apenas isso, pois as mudan\u00e7as deveriam ocorrer tamb\u00e9m nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais, isso notado no fato de que o pr\u00f3prio programa de ensino era formulado de modo que n\u00e3o visava \u00e0 separa\u00e7\u00e3o entre meninos e meninas, pratica comum nas escolas normais do contexto devido \u00e0s rela\u00e7\u00f5es patriarcais, e inclu\u00eda adultos, todos passando pelos mesmos processos de instru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0Ao decorrer de sua vida Le\u00f3n se envolveu com maior intensidade no \u00e2mbito educacional chegando, entre 1874 e 1875, a dirigir 70 escolas em seu distrito, todas seguindo a metodologia desenvolvida por ele, carregada, al\u00e9m do ideal de liberdade, de um forte sentimento anti clericalista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As atitudes educacionais desenvolvidas por Tolst\u00f3i, devido ao seu envolvimento com o pensamento libert\u00e1rio, podem por um lado ser compreendidas como parte da Educa\u00e7\u00e3o Libert\u00e1ria por seu contexto de gesta\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, conceitualmente a Educa\u00e7\u00e3o Libert\u00e1ria possui, segundo Silvio Gallo, duas vertentes constitu\u00eddas, uma amparada no pensamento de Rousseau, que parte do principio de que a educa\u00e7\u00e3o deve acontecer por meio da liberdade, esta notada como vigente dentro da pr\u00e1tica das escolas tosltoianas. A liberdade como um meio para a educa\u00e7\u00e3o, no entanto, pode ser tomada como algo problem\u00e1tico, visto que seu fruto \u00e9 o individualismo, o que j\u00e1 ocorria nos meios liberais tradicionais da educa\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[6]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Outra forma pela qual a Educa\u00e7\u00e3o Libert\u00e1ria procede \u00e9 tendo a liberdade como finalidade da educa\u00e7\u00e3o ou como produto, onde se tem o homem livre como aquele que possui todas as faculdades tanto para o trabalho intelectual quanto para o bra\u00e7al, pois deste modo se det\u00eam o controle de sua pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A pr\u00e1tica da educa\u00e7\u00e3o que visa \u00e0 liberdade pode ser percebida em outra experi\u00eancia, j\u00e1 em um per\u00edodo um pouco posterior ao in\u00edcio das atividades de Tolst\u00f3i, que come\u00e7a a ser idealizada j\u00e1 em 1868 quando a Associa\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores aprova os projetos educacionais de Paul Robin (1837 \u2013 1912).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"https:\/\/repensar.noblogs.org\/files\/2016\/01\/robin.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-30 aligncenter\" src=\"https:\/\/repensar.noblogs.org\/files\/2016\/01\/robin.jpg\" alt=\"robin\" width=\"439\" height=\"285\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A experi\u00eancia se inicia efetivamente, no entanto, a partir de 1880 quando Robin assume a diretoria do Asilo P\u00fablico para \u00d3rf\u00e3os de Cempu\u00eds, na Picardia francesa, denominado Pr\u00e9vost, em homenagem ao fundador Joseph-Gabriel Pr\u00e9vost, e desenvolve seu trabalho tendo como base os ideais de Proudhon e Bakunin, formulando, assim um programa baseado na educa\u00e7\u00e3o integral (citado abaixo como instru\u00e7\u00e3o integral).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Exercendo as fun\u00e7\u00f5es de casa e escola, o Orfanato Pr\u00e9vost constituiu, por sua natureza, um educand\u00e1rio de tempo integral. Contudo, o conceito de \u201cinstru\u00e7\u00e3o integral\u201d cunhado pelos libert\u00e1rios n\u00e3o se restringiu \u00e0 perman\u00eancia dos alunos no espa\u00e7o escolar por um longo per\u00edodo do dia. Para os defensores da acracia, a instru\u00e7\u00e3o integral deveria envolver a mais ampla forma\u00e7\u00e3o, articulando todos os aspectos do desenvolvimento humano.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[7]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para a realiza\u00e7\u00e3o de seus intentos Robin se fundamentou no que foi exposto pelo ge\u00f3grafo anarquista Piotr Kropotkin, dentro do \u201cComit\u00ea para o Ensino Anarquista\u201d, onde se diz que o ensino deve ser<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[8]<\/a>:<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify\">\n<li>b) racional, isto \u00e9, fundamentado na raz\u00e3o e conforme os princ\u00edpios da ci\u00eancia atual, e n\u00e3o na f\u00e9; no desenvolvimento da dignidade e da independ\u00eancia pessoal, e n\u00e3o na piedade e na obedi\u00eancia; na aboli\u00e7\u00e3o da fic\u00e7\u00e3o divina, causa eterna e absoluta da servid\u00e3o;<\/li>\n<li>c) misto, isto \u00e9, favorecer a co-educa\u00e7\u00e3o sexual numa comunh\u00e3o constante, fraternal entre meninos e meninas. Essa co-educa\u00e7\u00e3o, ao inv\u00e9s de constituir um perigo, afasta do pensamento da crian\u00e7a as curiosidades mals\u00e3s, e torna-se uma ocasi\u00e3o para s\u00e1bias condi\u00e7\u00f5es que preservam e asseguram uma alta moralidade;<\/li>\n<li>d) libert\u00e1rio, isto \u00e9, numa palavra, consagrar em proveito da liberta\u00e7\u00e3o o sacrif\u00edcio progressivo da autoridade, uma vez que o objetivo final da educa\u00e7\u00e3o \u00e9 formar homens livres que respeitem e amem a liberdade alheia.<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[9]<\/a><\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify\">Seguindo esses preceitos durante seus quatorze anos na dire\u00e7\u00e3o do internato, o educador anarquista buscou estabelecer \u201ca extin\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de domina\u00e7\u00e3o e hierarquiza\u00e7\u00e3o que se haviam consolidado no espa\u00e7o intra-escolar, de forma a permitir que a espontaneidade, a liberdade, a criatividade e a responsabilidade dos indiv\u00edduos pudessem emergir, possibilitando o desenvolvimento da crian\u00e7a nas suas m\u00faltiplas dimens\u00f5es.\u201d<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[10]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"https:\/\/repensar.noblogs.org\/files\/2016\/01\/cempuis.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-31 aligncenter\" src=\"https:\/\/repensar.noblogs.org\/files\/2016\/01\/cempuis-300x199.jpg\" alt=\"cempuis\" width=\"457\" height=\"303\" srcset=\"https:\/\/repensar.noblogs.org\/files\/2016\/01\/cempuis-300x199.jpg 300w, https:\/\/repensar.noblogs.org\/files\/2016\/01\/cempuis.jpg 853w\" sizes=\"auto, (max-width: 457px) 100vw, 457px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Fica claro aqui que o objetivo de Robin era o estabelecimento de uma pr\u00e1tica educacional onde os indiv\u00edduos, atrav\u00e9s de um processo de desconstru\u00e7\u00e3o das estruturas estabelecidas poderiam vislumbrar a possibilidade de uma reorganiza\u00e7\u00e3o pautada em princ\u00edpios de liberdade e que, embutido nesse ideal de desconstru\u00e7\u00e3o estava prevista a constru\u00e7\u00e3o da liberdade enquanto pr\u00e1tica social, pois para ele:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Todo homem deve ser considerado sob dois pontos de vista: como ser isolado, independente, completo por si s\u00f3 e como membro da coletividade. [&#8230;] Como ser distinto e completo, ele tem direito ao desenvolvimento total de suas faculdades; como membro da coletividade, ele deve contribuir com a sua parte de trabalho \u00edntegro e necess\u00e1rio. Se este trabalho se distribui segundo a justi\u00e7a entre todos os homens; se as necessidades extravagantes de alguns deles n\u00e3o alteram profundamente o equil\u00edbrio entre o consumo e a produ\u00e7\u00e3o; se os instrumentos criados pela ind\u00fastria moderna est\u00e3o, como conv\u00e9m, \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do trabalhador; enfim, se o trabalho \u00e9 racionalmente organizado e se os produtos derivados dele s\u00e3o distribu\u00eddos de forma equitativa, \u00e0 parte de trabalho exigida de cada um se reduzir\u00e1 consideravelmente, e o tempo de \u00f3cio ser\u00e1 muito maior.<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[11]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vemos aqui que a preocupa\u00e7\u00e3o maior de Robin n\u00e3o \u00e9 a de doutrina\u00e7\u00e3o, visto que seu programa visa, n\u00e3o apenas a dissemina\u00e7\u00e3o dos ideais e propostas do pensamento libert\u00e1rio, mas, uma tentativa de atrav\u00e9s destes ideais, alcan\u00e7ar, em longo prazo, condi\u00e7\u00f5es que possibilitem uma rela\u00e7\u00e3o harmoniosa entre os indiv\u00edduos, que levem em considera\u00e7\u00e3o suas pr\u00f3prias no\u00e7\u00f5es e seus limites, por\u00e9m, que n\u00e3o os isolem de seu contexto, afinal sua contribui\u00e7\u00e3o ao coletivo \u00e9 indispens\u00e1vel para que as rela\u00e7\u00f5es n\u00e3o sejam apenas de liberdade, mas de igualdade e justi\u00e7a, levando em considera\u00e7\u00e3o que \u201cLa sociedad es un cuerpo organizado compuesto de individualidades. Si \u00e9stas pretend\u00ed es entender unos derechos superiores a la misma sociedad, el lazo social ser\u00eda disuelto, las individualidades librar\u00edan entre s\u00ed una guerra encarnizada, y despu\u00e9s de haber destruido el derecho social, el derecho individual, ser\u00eda a su vez pronto aniquilado.\u201d<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[12]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As Escolas Racionalistas surgiram, ent\u00e3o, dentro desse contexto de busca por uma reorganiza\u00e7\u00e3o, trataremos a partir daqui de uma das mais expressivas experi\u00eancias que, at\u00e9 os dias atuais \u00e9 alvo de cr\u00edticas e estudos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Escola Moderna (<em>Escuela Moderna<\/em>) teve suas primeiras instala\u00e7\u00f5es a Rua de Bail\u00e9n (Calle de Bail\u00e9n), n\u00ba 70, sobre comando do educador espanhol Francisco Ferrer y Guardia (1859 \u2013 1909), tendo como diretora Clem\u00eancia Jacquinet<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[13]<\/a>, e iniciou suas atividades em 1901, com a primeira aula dedicada a 30 alunos, sendo 12 meninas e 18 meninos, seguindo a premissa adotada por Robin e Tolst\u00f3i da educa\u00e7\u00e3o mista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"https:\/\/repensar.noblogs.org\/files\/2016\/01\/escuela-moderna.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-32 aligncenter\" src=\"https:\/\/repensar.noblogs.org\/files\/2016\/01\/escuela-moderna.jpg\" alt=\"escuela moderna\" width=\"402\" height=\"294\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ferrer tem sua preocupa\u00e7\u00e3o com a educa\u00e7\u00e3o agitada ap\u00f3s seu envolvimento com o movimento republicano espanhol, cujo qual \u201csempre demonstrou um deplor\u00e1vel desconhecimento da import\u00e2ncia capital que o sistema de educa\u00e7\u00e3o tem para um povo\u201d.<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[14]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"https:\/\/repensar.noblogs.org\/files\/2016\/01\/ferrer.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-33 alignright\" src=\"https:\/\/repensar.noblogs.org\/files\/2016\/01\/ferrer.jpg\" alt=\"ferrer\" width=\"204\" height=\"248\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Depois de quinze anos de resid\u00eancia em Paris, atuando como professor de espanhol na Associa\u00e7\u00e3o Fitot\u00e9cnica da Fran\u00e7a, empreendeu uma s\u00e9rie de viagens por diversos pa\u00edses ao lado e sob financiamento de uma de suas alunas, senhorita Meunier, que pertencente a uma fam\u00edlia da alta sociedade, se viu convencida pelos ideais de Ferrer que tomara a decis\u00e3o na seguinte exposi\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Senhorita, chegamos a um ponto em que \u00e9 preciso nos determinarmos a buscar uma orienta\u00e7\u00e3o nova. O mundo necessita de n\u00f3s, reclama o nosso apoio, e conscientemente n\u00e3o podemos neg\u00e1-lo. Me parece que empregar em comodidade e prazeres recursos que fazem parte do patrim\u00f4nio universal e que serviriam para fundar uma institui\u00e7\u00e3o \u00fatil e reparadora \u00e9 cometer uma defrauda\u00e7\u00e3o, e isto n\u00e3o pode ser feito nem no conceito de crente nem no de livre-pensador. Portanto anuncio a voc\u00ea que n\u00e3o pode contar comigo para as pr\u00f3ximas viagens.<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[15]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ap\u00f3s este epis\u00f3dio Meunier cedeu \u00e0 Ferrer os recursos necess\u00e1rios para a funda\u00e7\u00e3o de sua institui\u00e7\u00e3o de ensino racional, o que rendeu ao \u00faltimo a submiss\u00e3o a um interrogat\u00f3rio judicial sob a acusa\u00e7\u00e3o de ter exercido sobre a aluna \u201cum poder sugestivo com um fim ego\u00edsta\u201d.<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[16]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com toda essa movimenta\u00e7\u00e3o surge a experi\u00eancia que se pauta nos princ\u00edpios libert\u00e1rios constitu\u00eddos at\u00e9 ent\u00e3o, tendo como influ\u00eancia, segundo os apontamentos de Pal\u00e1cios os pensamentos desenvolvidos de \u201cGodwin (1756 \u2013 1836) a Kropotkin, passando pelos socialistas ut\u00f3picos, Stirner (1806 \u2013 1856). Bakunin, etc, tendo se relacionado com alguns deles em Paris\u201d.<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[17]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os ideais por tr\u00e1s da Escola Moderna, apesar de romperem com v\u00e1rias das no\u00e7\u00f5es tradicionais, podem ser tomados como iminentes ao seu pr\u00f3prio contexto, visto que o s\u00e9culo XIX \u00e9 marcadamente cientificista por parte da academia, o que se buscava, ent\u00e3o, era a deflagra\u00e7\u00e3o de um ide\u00e1rio que estivesse distante das no\u00e7\u00f5es em vig\u00eancia no ensino estatal, visto que este trazia consigo o dogmatismo e consequentemente ideias err\u00f4neas erigidas atrav\u00e9s do senso comum. Desta forma Ferrer aponta que:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c0 hora atual o sol n\u00e3o t\u00e3o somente cobre os cumes; estamos em luz quase meridiana que invade at\u00e9 os sop\u00e9s das montanhas. A ci\u00eancia felizmente j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 patrim\u00f4nio de um reduzido grupo de privilegiados; saus irradia\u00e7\u00f5es benfeitoras penetram com mais ou menos consci\u00eancia por todas as camadas sociais. Por todas as partes dissipa os erros tradicionais [&#8230;] para que terminem de uma vez por todas os exclusivismos e os privil\u00e9gios.<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[18]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Deste modo, ent\u00e3o, podemos apontar que as bases do ensino adotado por Ferrer seguem os princ\u00edpios da ci\u00eancia, com seus conhecimentos exatos e positivos, visando a constru\u00e7\u00e3o de um conhecimento s\u00f3lido que serviria de base para uma reorganiza\u00e7\u00e3o social sem preconceitos, sem ignorar, por\u00e9m as percep\u00e7\u00f5es individuais dos sujeitos, o que \u00e9 notado na afirma\u00e7\u00e3o: \u201cn\u00e3o se educa o homem disciplinando sua intelig\u00eancia, fazendo caso omisso do cora\u00e7\u00e3o e relegando a vontade. O homem na unidade, [&#8230;] \u00e9 um complexo\u201d.<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[19]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Este modo racionalista de pensar o ensino parte das premissas de que o individuo nasce sem ideias preconcebidas e que suas primeiras percep\u00e7\u00f5es s\u00e3o adquiridas das pessoas que a cercam, passando por um processo de compara\u00e7\u00f5es e modifica\u00e7\u00f5es, direcionadas pela observa\u00e7\u00e3o e pelas rela\u00e7\u00f5es com o ambiente. Assim a finalidade de uma educa\u00e7\u00e3o cientificista seria a de que todo conhecimento adquirido pelo individuo fosse palp\u00e1vel e experiment\u00e1vel e n\u00e3o erigido atrav\u00e9s de princ\u00edpios de f\u00e9, o que lhe proporcionaria a caracter\u00edstica de observador ou experimentador e o preparo para todo tipo de estudo.<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[20]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A escola recebia crian\u00e7as a partir dos cinco anos de idade e estava organizada em: Primeira Classe Preparat\u00f3ria, Segunda Classe Preparat\u00f3ria, Curso M\u00e9dio e Normal Preparat\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A primeira preparat\u00f3ria estava especificamente dividida nos seguintes per\u00edodos: Ma\u00f1ana de 9h a 11h3\/4 &#8211; visita de limpieza \u2013 orden en la clase, interrogatorio sobre el trabajo del d\u00eda anterior, recreo, ejercicios manuales, lecci\u00f3n de cosas, recreo e ejercicios manuales; Tarde de 2h a 4h3\/4 &#8211; visita de limpieza, narraci\u00f3n, interrogatorio de recapitulaci\u00f3n, gimnasia. Podemos notar nesta divis\u00e3o a manifesta\u00e7\u00e3o dos ideais da Educa\u00e7\u00e3o Integral, pois al\u00e9m das atividades exclusivamente intelectuais presentes nas li\u00e7\u00f5es (lecci\u00f3n de cosas) temos presentes diversos tipos de atividades manuais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A segunda preparat\u00f3ria se dividia em disciplinas espec\u00edficas, sendo: lecturas e escritura, estudio del idioma, Geograf\u00eda de Espa\u00f1a e Ciencias Naturales.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Curso Medio se divide tamb\u00e9m em disciplinas espec\u00edficas: Lectura Expresiva, Lenguas espa\u00f1ola y francesa, Matem\u00e1ticas, Ciencias Naturales, Ciencias F\u00edsicas, Primer a\u00f1o normal, Geograf\u00eda, Historia, Aritm\u00e9tica e Geometr\u00eda y Dibujo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Normal Preparat\u00f3rio segue a mesma grade do Medio, por\u00e9m \u00e9 voltado \u00e0 capacita\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos para a pesquisa individual e a constru\u00e7\u00e3o do conhecimento por um vi\u00e9s pr\u00f3prio.<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[21]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O libertarismo est\u00e1 presente nas aspira\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas de Ferrer, quando \u00e9 apontado que o Estado por reconhecer o poder da educa\u00e7\u00e3o a toma para si e a controla como pode, afinal:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os governos sempre se preocuparam em dirigir a educa\u00e7\u00e3o do povo, e sabem melhor que ningu\u00e9m que seu poder est\u00e1 totalmente baseado na escola e por isso a monopolizam cada vez com maior empenho. Foi o tempo em que os governos se opunham \u00e0 difus\u00e3o da instru\u00e7\u00e3o e procuravam restringir a educa\u00e7\u00e3o das massas. [&#8230;] os progressos da ci\u00eancia e os descobrimentos multiplicados revolucionaram as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e da produ\u00e7\u00e3o; j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que o povo permane\u00e7a ignorante; necessitam dele instru\u00eddo para que a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de um pa\u00eds seja conservada e progrida contra a concorr\u00eancia universal. Assim reconhecido os governos quiseram uma organiza\u00e7\u00e3o cada vez mais completa da escola, n\u00e3o porque esperam a renova\u00e7\u00e3o da sociedade pela educa\u00e7\u00e3o, mas porque necessitam de indiv\u00edduos, oper\u00e1rios, instrumento de trabalho mais aperfei\u00e7oados para que frutifiquem as empresas industriais e os capitais a elas dedicados.<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[22]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Al\u00e9m de atuar na escola Ferrer dirigia <em>La Editorial<\/em>, editora fundada juntamente com a escola para abastec\u00ea-la com material bibliogr\u00e1fico, visto que o educador n\u00e3o via os materiais usuais de seu contexto como apropriados para seu intento, pois, apresentavam fatores como o patriotismo e a procura da dissemina\u00e7\u00e3o de vis\u00f5es pol\u00edticas contr\u00e1rias \u00e0 autonomia do ser.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A editora foi respons\u00e1vel pela publica\u00e7\u00e3o de 30 t\u00edtulos entre manuais, cartilhas, comp\u00eandios e t\u00edtulos de literatura, al\u00e9m de 72 n\u00fameros do <em>Bolet\u00edn de la Escuela Moderna<\/em>, entre 1901 e 1906, estes contando com textos de Robin, Jacquinet, do pr\u00f3prio Ferrer e de mais alguns colaboradores, al\u00e9m de conter pequenos trechos de contos, tratados sobre higiene e informativos sobre o funcionamento da escola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 importante citar a abertura da escola para uma aula matinal aos domingos, onde os pais dos alunos poderiam estar presentes para participar das atividades. Al\u00e9m, disso, existiam as atividades extras como:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">[&#8230;] visitas a f\u00e1bricas, museus, etc e a correspond\u00eancia escolar entre alunos de diferentes escolas. As visitas constitu\u00edam assuntos de debates entre professores e alunos, que eram incentivados a dar suas opini\u00f5es e refletir sobre o que foi dito atrav\u00e9s do exerc\u00edcio escrito de uma reda\u00e7\u00e3o [&#8230;].<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[23]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As atividades da Escola Moderna foram intensas e sua notabilidade cresceu bastante no per\u00edodo compreendido entre sua funda\u00e7\u00e3o e o incidente de 1906, onde Mateo Morale, que havia sido bibliotec\u00e1rio da escola, atirou uma bomba na carruagem de transporte do Rei Afonso XIII, o que serviu de \u00e1libi para a persegui\u00e7\u00e3o de Ferrer, visto como envolvido pelo Estado e pela Igreja.<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[24]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0A condena\u00e7\u00e3o de Ferrer, por\u00e9m, pode ser tomada como atrelada \u00e0s suas concep\u00e7\u00f5es pol\u00edtico educacionais, onde:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Muitos dos cr\u00edticos mais virulentos, em geral cat\u00f3licos, direitistas e conservadores, acusam Ferrer de uma s\u00e9rie de atos \u2013 de fato e de pensamento \u2013 a partir da an\u00e1lise dos livros did\u00e1ticos publicados pela editorial da Escuela Moderna. Portanto, o car\u00e1ter pedag\u00f3gico se funde e se complementa com as ideias pol\u00edticas e m\u00e9todos cient\u00edficos contidos nas folhas cerradas entre as singelas encaderna\u00e7\u00f5es de capas vermelhas de uma d\u00fazia de livretos escolares que ganharam vida entre 1901 e 1906.<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[25]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ferrer ap\u00f3s o epis\u00f3dio foi, ent\u00e3o, levado \u00e0 pris\u00e3o modelo de Madrid e mesmo sendo livrado das acusa\u00e7\u00f5es por falta de provas teve de fechar a escola em Barcelona permanecendo em atividade apenas a editora. Em um per\u00edodo posterior retornou a Fran\u00e7a, onde funda a \u201cLiga Internacional para a Educa\u00e7\u00e3o Racionalista\u201d e lan\u00e7a a revista \u201cL\u2019\u00c9cole R\u00e9nov\u00e9e\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ap\u00f3s uma temporada na Inglaterra, onde esteve em contato com Kropotkin, retorna \u00e1 Espanha em 1909, onde se depara com o epis\u00f3dio conhecido como \u201cSemana Tr\u00e1gica de Barcelona\u201d. Sua pris\u00e3o foi iminente, a editora foi fechada e ent\u00e3o \u201cFerrer foi acusado de ser o autor e chefe da revolu\u00e7\u00e3o da Semana Tr\u00e1gica de Barcelona, e foi condenado \u00e0 morte.\u201d<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\">[26]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A morte de Ferrer, no entanto, n\u00e3o significou o fim das experi\u00eancias da Escola Moderna, visto que o ideal da educa\u00e7\u00e3o racionalista alcan\u00e7ou outras localidades e que o material produzido para a instru\u00e7\u00e3o dos alunos na Rua de Bail\u00e9n foi adotado por:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">[&#8230;] in\u00fameras escolas privadas da \u00e9poca [&#8230;] umas setenta sociedades, centros ateneus, federa\u00e7\u00f5es e associa\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias. E mesmo depois, quando a Escola Moderna foi proibida pelo Estado (em 1909 ap\u00f3s a morte de Ferrer), a utiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o cessou de ampliar-se.<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\">[27]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O ideal racionalista foi difundido, ent\u00e3o, entre diversos pa\u00edses europeus, o que atrelado \u00e0 grande ades\u00e3o ao libertarismo significou a abertura de diversos espa\u00e7os libert\u00e1rios de educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No Brasil a morte de Ferrer teve seus impactos nos meios libert\u00e1rios, o que pode ser visto na nota \u201cO grande Martyr da educa\u00e7\u00e3o popular\u201d, do peri\u00f3dico \u00e1crata e anticlerical <em>A Lanterna<\/em>, onde se l\u00ea:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O grande crime foi consumado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Francisco Ferrer, o illustre e talentoso pensador hespanhol, o ilustre talentoso apostolo da educa\u00e7\u00e3o popular acaba de ser assassinado nos calabou\u00e7os de Montjuich.<a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\">[28]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o da nota citada, v\u00e1rias outras podem ser vistas nas edi\u00e7\u00f5es subsequentes do peri\u00f3dico, incluindo, inclusive, tradu\u00e7\u00f5es de textos do pr\u00f3prio Ferrer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Apesar de o Brasil contar, antes da morte de Ferrer, com espa\u00e7os de pr\u00e1tica da educa\u00e7\u00e3o libert\u00e1ria, como a Associa\u00e7\u00e3o do Livre Pensamento, que j\u00e1 em 1909 funcionava em S\u00e3o Paulo, a Rua Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, n\u00ba 17, foi o evento marcante aos libert\u00e1rios que serviu de motor para a iniciativa que buscava fundar uma das experi\u00eancias mais significativas para a educa\u00e7\u00e3o libert\u00e1ria em solo brasileiro, afinal, a partir do fuzilamento de seu \u201cm\u00e1rtir\u201d os anarquistas organizaram o Comit\u00ea da Escola Moderna, que, presente, na forma de subcomit\u00eas, em diversos bairros da capital paulista e do munic\u00edpio do Rio de Janeiro, buscava angariar fundos para a abertura da Escola Moderna n\u00ba 1 em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"https:\/\/repensar.noblogs.org\/files\/2016\/01\/EM_Sao_Paulo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-34 aligncenter\" src=\"https:\/\/repensar.noblogs.org\/files\/2016\/01\/EM_Sao_Paulo-300x199.jpg\" alt=\"EM_Sao_Paulo\" width=\"398\" height=\"264\" srcset=\"https:\/\/repensar.noblogs.org\/files\/2016\/01\/EM_Sao_Paulo-300x199.jpg 300w, https:\/\/repensar.noblogs.org\/files\/2016\/01\/EM_Sao_Paulo.jpg 754w\" sizes=\"auto, (max-width: 398px) 100vw, 398px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Essa organiza\u00e7\u00e3o realizava diversas atividades para a arrecada\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de cada associado contribuir com uma taxa m\u00ednima de 1$000 mensalmente, e por funcionar em in\u00fameras localidades, como a Mo\u00f3ca e a S\u00e9, que tinham como principais moradores os oper\u00e1rios, tinha na imprensa oper\u00e1ria um dos mais abrangentes meios de articula\u00e7\u00e3o. O pr\u00f3prio A Lanterna, citado anteriormente, criou uma se\u00e7\u00e3o denominada \u201cA Escola Moderna\u201d, onde not\u00edcias e an\u00fancios do comit\u00ea eram publicados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os moldes estabelecidos para a Escola Moderna de S\u00e3o Paulo eram basicamente os mesmo vistos em Barcelona, o que pode ser lido na publica\u00e7\u00e3o \u201cA Escola Moderna em S\u00e3o Paulo\u201d, que diz:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em assembleia realizada nesta capital, no dia 27 de janeiro do corrente anno, foi resolvida a funda\u00e7\u00e3o duma ESCOLA MODERNA, baseada no ensino racionalista adoptado por Francisco Ferrer [&#8230;].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esta iniciativa n\u00e3o pertence a nenhum partido ou escola pol\u00edtica. Para cooperar na sua realiza\u00e7\u00e3o s\u00e3o convidados, num ardoroso apello, todos os livres pensadores que desinteressadamente se preocupam com a instru\u00e7\u00e3o racionalista e integral da crian\u00e7a, base segura para a forma\u00e7\u00e3o de duma humanidade livre de preconceitos pol\u00edticos e religiosos e capaz de instaurar um regime de vida baseado na liberdade, na toler\u00e2ncia m\u00fatua e na igualdade de possibilidades para o desenvolvimento moral, intelectual e physico dos seres humanos.<a href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref30\">[29]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em 13 de maio de 1912 \u00e9 fundada, ent\u00e3o, a Escola Moderna n\u00ba 1 em S\u00e3o Paulo, no Bairro do Belenzinho a Rua Saldanha Marinho, n\u00ba 58, tendo anexos \u00e0 editora, como a escola de Barcelona, que visava \u00e0 publica\u00e7\u00e3o de materiais did\u00e1ticos e do boletim da escola moderna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na dire\u00e7\u00e3o da escola temos o pedagogo, proveniente do munic\u00edpio de Ja\u00fa, Jo\u00e3o Penteado, que \u201c[&#8230;] j\u00e1 participava das manifesta\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias, era orador e escrevia na imprensa libert\u00e1ria\u201d.<a href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref31\">[30]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No mesmo ano foi fundada a Escola Moderna n\u00ba 2 no Br\u00e1s, a Rua M\u00fcller, n\u00ba 74, tendo em sua dire\u00e7\u00e3o, Adelino de Pinho, e o jornal <em>O In\u00edcio<\/em>, produzido pelos alunos da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Podemos assinalar, tamb\u00e9m, a cria\u00e7\u00e3o de mais tr\u00eas escolas modernas: duas no interior paulista, nas cidades de C\u00e2ndido e Bauru, fundadas em 1914 e uma em S\u00e3o Caetano, fundada em 1918 e que, apesar de ser uma iniciativa apoiada pela Coordena\u00e7\u00e3o Oper\u00e1ria Brasileira (COB), \u00e9 dito que:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As escolas modernas possuem mais uma peculiaridade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 maioria das demais escolas libert\u00e1rias do per\u00edodo, por n\u00e3o se vincularem aos sindicatos. Isso pode ter liga\u00e7\u00e3o com seu desenvolvimento bem sucedido, por se distanciarem do n\u00facleo de repres\u00e1lias que era destinado aos sindicatos.<a href=\"#_ftn32\" name=\"_ftnref32\">[31]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esse fator, por\u00e9m, n\u00e3o impediu a interven\u00e7\u00e3o do Estado, visto que ap\u00f3s as movimenta\u00e7\u00f5es das greves gerais de 1917, 1918 e 1919 o aparelho repressivo passou a ter como principal alvo os libert\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As atividades escolares foram encerradas no ano de 1919, ap\u00f3s a morte do diretor da Escola Moderna de S\u00e3o Caetano, v\u00edtima de explos\u00e3o ocorrida em uma casa no Br\u00e1s. Este fato serviu como justificativa para que o Diretor Geral de Instru\u00e7\u00e3o P\u00fablica do Estado de S\u00e3o Paulo, Oscar Thompson, ca\u00e7asse, em car\u00e1ter definitivo, a licen\u00e7a de funcionamento da Escola Moderna n\u00ba\u00a01 e n\u00ba\u00a02. Os recursos impetrados e o <em>habeas corpus<\/em>\u00a0n\u00e3o surtiram efeito e as Escolas Modernas de S\u00e3o Paulo e de S\u00e3o Caetano foram definitivamente fechadas.<a href=\"#_ftn33\" name=\"_ftnref33\">[32]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A medida de fechamento das escolas foi tomada devido \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o da explos\u00e3o como uma tentativa de atentado, pois \u201csegundo os jornais da Grande Imprensa, a explos\u00e3o teria ocorrido devido a um erro de c\u00e1lculo dos anarquistas que estariam se preparando para um ataque armado\u201d.<a href=\"#_ftn34\" name=\"_ftnref34\">[33]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A repress\u00e3o do Estado, no entanto, n\u00e3o atingiu apenas a Escola Moderna, mas outros diversos estabelecimentos de ensino e imprensa libert\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O que se configura ap\u00f3s estes epis\u00f3dios \u00e9 um \u201csil\u00eancio libert\u00e1rio\u201d que se acentua ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o do Partido Socialista (PSB) e as movimenta\u00e7\u00f5es constitucionalistas, que passou a ser rompido a partir da redemocratiza\u00e7\u00e3o p\u00f3s-ditadura civil-militar, onde notamos a cria\u00e7\u00e3o de coletivos e federa\u00e7\u00f5es anarquistas, bem como da Coordena\u00e7\u00e3o Anarquista Brasileira, fundada em 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">*<\/a>\u00a0Nome dado a uma das propriedades rurais herdadas por Tolst\u00f3i onde se iniciaram seus trabalhos pedag\u00f3gicos desenvolvidos com o campesinato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[1]<\/a>\u00a0BARTLETT, Rosamund. <strong>Tolst\u00f3i<\/strong>: A biografia. Trad. Renato Marques. S\u00e3o Paulo: Globo, 2013, p. 127.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[2]<\/a>\u00a0<em>Id. Ibid.<\/em>, p. 140<em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[3]<\/a>\u00a0<em>Id. Ibid.<\/em>, p. 142<em>.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[4]<\/a>\u00a0TOLST\u00d2I, Le\u00f3n. I\u00e1snaia Poliana. Apud: BARTLETT, Rosamund. <strong>Tolst\u00f3i<\/strong>: A biografia. Trad. Renato Marques. S\u00e3o Paulo: Globo, 2013, p. 147.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[5]<\/a>\u00a0BARTLETT<em>. Op. Cit.<\/em>, p. 151.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[6]<\/a>\u00a0GALLO, S\u00edlvio. <strong>Pedagogia Libert\u00e1ria<\/strong><em>:<\/em> Anarquistas, anarquismos e educa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Imagin\u00e1rio, 1995.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[7]<\/a>\u00a0CASTRO, Rog\u00e9rio Cunha de. <strong>A Utopia poss\u00edvel<\/strong>: Paul Robin e o Orfanato Prev\u00f3st. Anais do XXVI Simp\u00f3sio Nacional de Hist\u00f3ria \u2013 ANPUH. S\u00e3o Paulo, 2011, p. 6.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[8]<\/a>\u00a0O item a) foi suprimidom, pois trata da educa\u00e7\u00e3o integral j\u00e1 exposta no par\u00e1grafo anterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[9]<\/a>\u00a0KROPOTKIN. In: LUIZETTO, Fl\u00e1vio. Utopias anarquistas. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1987. Apud: CASTRO, Rog\u00e9rio Cunha de. <strong>A Utopia poss\u00edvel<\/strong>: Paul Robin e o Orfanato Prev\u00f3st. Anais do XXVI Simp\u00f3sio Nacional de Hist\u00f3ria \u2013 ANPUH. S\u00e3o Paulo, 2011, p. 7.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[10]<\/a>\u00a0FLORESTA, Leila. <strong>Um projeto de educa\u00e7\u00e3o integral<\/strong><em>:<\/em> A experi\u00eancia de Paul Robin em \u201cCempu\u00eds\u201d. Olhares e trilhas. Uberl\u00e2ndia, Ano VIII, n. 8, p. 121 \u2013 134, 2007, p. 122.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[11]<\/a>\u00a0ROBIN, Paul. <strong>A educa\u00e7\u00e3o Integral<\/strong>. In: MORIY\u00d3N, Felix Garcia (org.). Educa\u00e7\u00e3o Libert\u00e1ria. Porto Alegre: Artes M\u00e9dicas, 1989, p. 88 \u2013 109, p. 89.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[12]<\/a>\u00a0ROBIN, Paul. <strong>Manifest\u00f3 a los partidos de la educaci\u00f3n integral<\/strong> (Un antecedente de la Escuela Moderna). Barcelona: Jos\u00e9 J.de Ola\u00f1eta Editor, 1981, p. 35.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[13]<\/a>\u00a0Al\u00e9m de fazer parte do corpo docente Clem\u00eancia dirigiu a escola de sua funda\u00e7\u00e3o at\u00e9 1903.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[14]<\/a>\u00a0FERRER, Francisco. <strong>A Escola Moderna<\/strong>. Piracicaba: Ateneu Diego Gim\u00e9nez (COB \u2013 AIT), 2010, p. 2.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[15]<\/a>\u00a0<em>Id. Ibid.<\/em>, p. 4<em>. <\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[16]<\/a>\u00a0<em>Id. Ibid.<\/em>, p. 4.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[17]<\/a>\u00a0PAL\u00c1CIOS, J. La cuesti\u00f3n escolar. Barcelona: Laia, 1981. Apud: SILVA, Doris Accioly. <strong>Anarquistas:<\/strong> Cria\u00e7\u00e3o cultural, inven\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica. Educa\u00e7\u00e3o &amp; Sociedade, Campinas, v.32, n.114, p.87-102, 2011, p. 99.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[18]<\/a>\u00a0FERRER, Francisco. <em>Op. Cit.<\/em>, p. 9 &#8211; 10.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[19]<\/a>\u00a0<em>Id. Ibid.<\/em>, p. 11.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[20]<\/a>\u00a0FERRER, Francisco<em>. Op. Cit.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[21]<\/a>\u00a0ESCUELA MODERNA. <strong>Bolet\u00edn de la Escuela Moderna<\/strong>, A\u00f1o I, Num. II, III, IV e V , Barcelona 30 de Octubre de 1901.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[22]<\/a>\u00a0FERRER, Fracisco. <em>Op. Cit.<\/em>, p. 28.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[23]<\/a>\u00a0MEHL, Aracely. <strong>Francisco Ferrer y Guardia<\/strong>: Educa\u00e7\u00e3o e a imprensa anarco-sindicalista &#8211; \u201cA Plebe\u201d (1917 \u2013 1919). Ponta Grossa. 2007. 150f. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Educa\u00e7\u00e3o) \u2013 Programa de Educa\u00e7\u00e3o e Ci\u00eancias Humanas, Universidade Estadual de Ponta Grossa, p. 34.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[24]<\/a>\u00a0<em>Id. Ibid.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[25]<\/a>\u00a0ROSA, Rodrigo. <strong>Anarquismo, Ci\u00eancia e Educa\u00e7\u00e3o<\/strong>: Francisco Ferrer y Guardia e a rede de militantes e cientistas em torno do ensino racionalista. S\u00e3o Paulo. 2013. 379f. Tese (Doutorado em Educa\u00e7\u00e3o) \u2013 Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, Universidade de S\u00e3o Paulo, p. 215.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[26]<\/a>\u00a0MEHL, Aracely. <em>Op. Cit.<\/em>, p. 39.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[27]<\/a>\u00a0SAF\u00d3N, Ramon. Apud: MEHL, Aracely. <em>Op. Cit.<\/em>, p. 49.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\">[28]<\/a>\u00a0<strong>A LANTERNA<\/strong>. Ano IV, n\u00ba 1, 17 de outubro de 1909.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn30\">[29]<\/a>\u00a0<strong>A LANTERNA<\/strong>. Ano IV, n\u00ba 22, 12 de mar\u00e7o de 1910.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn31\">[30]<\/a>\u00a0CASALVARA, Tatiana da Silva. <strong>A Milit\u00e2ncia Anarquista<\/strong> <strong>Atrav\u00e9s das Rela\u00e7\u00f5es Mantidas por Jo\u00e3o Penteado<\/strong> \u2013 Estrat\u00e9gias de Sobreviv\u00eancia P\u00f3s Anos 20. S\u00e3o Paulo. 2012. 279f. Tese (Doutorado em Educa\u00e7\u00e3o) \u2013 Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, Universidade de S\u00e3o Paulo, p. 96.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref32\" name=\"_ftn32\">[31]<\/a>\u00a0MACIEL, Luiza Vieira. <strong>Contribui\u00e7\u00f5es da educa\u00e7\u00e3o anarquista no Brasil da I Rep\u00fablica<\/strong>. Publicado em 29 de maio de 2010. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/passapalavra.info\/2010\/05\/24468&gt;. Acessado em: 13\/04\/2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref33\" name=\"_ftn33\">[32]<\/a>\u00a0MORAES, Jos\u00e9 Damiro de. <strong>Escola Moderna n\u00ba1<\/strong> \u2013 Estabelecimento de Instru\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.histedbr.fe.unicamp.br\/navegando\/glossario\/verb_c_escola_moderna_n_1.htm&gt;. Acessado em: 13\/04\/2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref34\" name=\"_ftn34\">[33]<\/a>\u00a0CASALVARA. <em>Op. Cit.<\/em>, p. 99.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Lucas Santos Aqui ser\u00e3o expostas algumas das\u00a0principais experi\u00eancias educacionais relacionadas ao anarquismo, passando pela funda\u00e7\u00e3o da Escola Moderna e a cria\u00e7\u00e3o destas escolas no Brasil, espa\u00e7os onde era utilizado o objeto desta pesquisa, o manual Comp\u00eandio de Hist\u00f3ria Universal. 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